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Combater a desigualdade vai salvar a vida de doentes com cancro

José Fernandes

04-02-2020

Pelo menos sete milhões de pessoas poderão sobreviver ao cancro nos próximos dez anos, se for combatida a “inaceitável desigualdade” com que se trata a doença oncológica, no mundo, consideram a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC) no Dia Mundial de Luta contra o Cancro que se assinalou dia 4 de fevereiro

Esta desigualdade observa-se, sobretudo, no acesso à prevenção, ao diagnóstico, aos cuidados de saúde e aos tratamentos, mas estas duas organizações têm um plano para a combater.

A OMS e a IARC aproveitam a data de hoje para divulgar dois relatórios onde denunciam essa “inaceitável desigualdade” nas respostas ao cancro e apresentam um plano de ação para salvar sete milhões de vidas até 2030. Uma ação a desenvolver “identificando a ciência mais apropriada para a situação de cada país, impondo fortes respostas ao cancro na cobertura universal de saúde e mobilizando diferentes partes interessadas para trabalharem juntas”, refere Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, num comunicado de imprensa citado pelo jornal “Público”.

“Se as atuais tendências continuarem, o mundo vai assistir a um aumento de 60% de casos de cancro durante as próximas duas décadas”, lê-se no mesmo comunicado da OMS e da IARC.

Os países mais pobres estarão em desvantagem com um aumento de casos calculado em 81%, quase o dobro. Apenas 15% destes países conseguem garantir o tratamento de cancro nos seus sistemas nacionais de saúde, diz a OMS, precisando que em mais de 90% dos países ricos é dada essa resposta.

Os dados do relatório da OMS, intitulado “Estabelecer Prioridades, Investir com Bom Senso e Garantir Cuidados para Todos”, revelam que em 2018 o cancro mais diagnosticado foi o do pulmão (11,6% de todos os caos), seguido pelo cancro da mama nas mulheres (11,6%) e pelo colo-rectal (10,2%). O cancro do pulmão é também a principal causa de morte por cancro (18,4%), seguido do colo-rectal (9%) e cancro do estômago (8,2%).

Segundo o mesmo relatório, na próxima década, uma em cada cinco pessoas vai desenvolver cancro que mata, por ano, 10 milhões de pessoas.

Tendo em conta esta realidade, para salvar a vida de sete milhões de pessoas até 2013, é necessário um investimento de cerca de 25.000 milhões de dólares (22.590 milhões de euros), segundo Andre Ilbawi, representante do Departamento de Controlo do Cancro da OMS.

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