A Agência Francesa do Medicamento (ANSM) alertou médicos e pacientes para os riscos do uso do ibuprofeno ou de um outro fármaco similar, o ketoprofeno, no tratamento de algumas infeções e solicitou às autoridades europeias uma ampla investigação sobre estes medicamentos. O alerta surge depois de um estudo realizado em Tours e Marselha.
A ANSM, na sigla francesa, emitiu esta quinta-feira uma série de recomendações que aconselham a dar preferência ao paracetamol, em detrimento do ibuprofeno, em caso de dor (excepto dores de costas) ou febre.
De acordo com o jornal espanhol El País, a recomendação da agência francesa não resulta de qualquer crise de saúde, mas simplesmente de processos de reavaliação dos riscos e benefícios da toma de um medicamento.
A ANSM destaca alguns riscos do ibuprofeno quando se tratam infeções como anginas, rinofaringites, otites, infeção pulmonar, algumas lesões cutâneas e varicela. Casos de complicações foram observados após tratamentos de curta duração (dois a três dias) com ibuprofeno ou ketoprofeno, quando receitados pelo médico ou em casos de auto-medicação.
O estudo que deu origem a esta advertência da ANSM teve início no ano 2000. Durante a pesquisa, os investigadores analisaram 337 casos de complicações infeciosas graves com ibuprofeno e 49 com ketoprofeno. Situações que deram origem a hospitalizações, nalguns casos com sequelas graves.
Investigações anteriores tinham apontado para a necessidade de redução da dose administrada. Estes estudos concluíram que que a dose de 600 miligramas, muitas vezes tomada por adultos, não é necessária na maioria das ocasiões, sendo suficiente a de 400 miligramas.
O uso de ibuprofeno também foi relacionado com situações de doenças cardíacas, intestinais e problemas vasculares.
Nas últimas décadas, o ibuprofeno tem sido o medicamento mais tomado, mesmo antes do paracetamol, em casos de dor, inflamação e febre.
Um porta-voz da ANSM sublinhou que o apelo feito pela agência francesa será avaliado por várias instituições similares europeias, de forma concertada.