Esta é uma daquelas crónicas que me custa imenso escrever, mas tem de ser – valha-nos os bons momentos no ciclismo e automobilismo. Compromissos são compromissos. O mais fácil seria, vá lá, escolher outro tema. Não! Nem pensar! Se Portugal tivesse vencido a França escreveria sobre o quê? Sobre a vitória portuguesa… Perdendo… Não direi que voltou “a besta negra”, porque aquele título Europeu de 2016 ninguém o tira a quem o conquistou, mas que os franceses, depois do susto que apanharam recentemente em Paris, estudaram bem a lição, não restam dúvidas.
Portugal perdeu… e não há muito a lamentar. Perdeu porque a França foi melhor na maioria do tempo, exceção para os derradeiros 20 minutos, mas valha a verdade que não fosse São Patrício e ao intervalo o jogo podia estar resolvido. O estranho no meio de tudo isto foi ter sido o mais improvável de todos os franceses a conseguir o golo que vale à equipa de Deschamps a “final four”. Kanté, de seu nome, um gigante de apenas 1,68 metros jogou muitíssimo. A exemplo dos seus parceiros do “miolo” Griezmann, Rabiot e Pogba. Assim, a França garantiu em Lisboa a presença na decisão, mas ainda não tem qualquer companhia. Coisa que só se resolve esta noite.
E esta noite, em Split, frente à Croácia, o jogo só não é para cumprir calendário, porque os croatas necessitam de vencer para não descerem à Liga B, mas é com tristeza que quem gosta da Seleção vai acompanhar televisivamente o jogo. Porém, há que olhar para o que se passou no último sábado como um mero acidente de percurso, que só aconteceu porque a França é outra das grandes formações da atualidade. Ok, o orgulho luso fica ligeiramente beliscado, mas há mais vida para lá da Liga das Nações. Como é o caso da fase final do Europeu-2020. Que só terá lugar no ano que vem, sabe-se lá onde, e onde Portugal defende o seu título. O tal que acabou com “a besta negra”.
SUB-21 TAMBÉM QUEREM O EURO
Mesmo com o sportinguista Pote a não integrar as escolhas prioritárias de Rui Jorge – para não falar nas ausências de David Carmo ou Tiago Tomás, normalmente titulares nos seus clubes -, a Seleção de sub-21 garantiu a entrada na fase final do Europeu da categoria (vencendo, hoje, os Países Baixos termina o Grupo como primeiro classificado), a ter lugar na Hungria e Eslovénia no ano que vem. Pela qualidade desta geração de futebolistas, não olhar para Portugal como um candidato à vitória na prova… seria hipocrisia. Há muita gente jovem com futuro, muitos deles serão, seguramente, reforços do selecionado principal dentro em breve (Nuno Mendes, por exemplo, é forte candidato) e têm a seu favor o facto de quase todos estarem em atividade. Logo, Portugal é candidato ou não. É claro que é!
CICLISMO PORTUGUÊS: SEMPRE A SOMAR!
Plovdiv, cidade búlgara, apadrinhou uma das maiores exibições da história do ciclismo português. Na pista, o selecionado luso esteve ao nível das melhores formações europeias e regressou a casa com seis medalhas no bolso. As duas últimas no último dia de competição. Primeiro a de ouro, por Ivo Oliveira, na prova de perseguição individual; depois, a de prata, conquistada por Ivo e o irmão gémeo Rui, na prova de “madison”. Depois do que se passou no Giro, com João Almeida e Ruben Guerreiro a tornarem-se protagonistas, a atuação do selecionado fica para a história da modalidade, que termina 2020 num plano sem precedentes!
FILIPE ALBUQUERQUE CAMPEÃO MUNDIAL
Cumpriu o formalismo, no Bahrain, e chegou ao título mundial de resistência LMP2. Depois de ter vencido Le Mans e Europeu da especialidade, Filipe Albuquerque, na companhia de Philip Hanson e Paul Di Resta, é mais português a fazer manchetes no desporto automóvel. Na derradeira prova – para assegurar o título bastava entrar em prova - a equipa ficou em 4.º lugar, mas o importante estava garantido: o título. Dizer, ainda, que na mesma competição, o campeão mundial de Fórmula E, António Félix da Costa, obteve a terceira posição.
HAMILTON NA F1, JOAN MIR NO MOTO GP
Nas mais badaladas competições de automóveis e motas, confirmaram-se os cenários que estavam traçados antes das corridas na Turquia e em Valência. Na Fórmula1, numa prova marcada pela companhia da chuva, quem melhor se poderia adaptar se não o melhor piloto da atualidade: Lewis Hamilton venceu (94.ª vitória da carreira) e com o triunfo somou o 7.º mundial, igualando o inesquecível Michael Schumacher, mas deixando claro que em breve tem tudo a seu favor para se tornar recordista isolado. Já na MotoGP, Joan Mir tenha a seu favor uma série de combinações para chegar ao título e suceder a Marc Márquez. O 7.º lugar – lugar a seguir a Miguel Oliveira – foi suficiente, uma vez que os rivais diretos (Quartararo desistiu e Rins só obteve a 4.ª posição) não conseguiram adiar para Portimão, no final do mês, a atribuição do título.