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A UE beneficia a maioria das vezes os EUA?

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01-03-2021

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A União Europeia é acusada de ter uma posição parcial em relação aos EUA. Muitas vezes esta premissa é alimentada pela aliança militar transatlântica com os EUA: a NATO. No entanto, a UE é uma união de 27 Estados-membros soberanos. Tanto no plano económico, como militar as decisões são tomadas com o consenso dos 27.

A soberania da União Europeia está a ser posta em causa, através de narrativas de desinformação espalhadas pela internet. Num destes conteúdos, publicados pela Russia Today Arabic, é referido que é controlada pelos Estados Unidos da América: “95% das decisões tomadas na UE favorecem as políticas norte-americanas".

Será assim?

Ao Polígrafo SIC Europa, o professor da Universidade Nova, Tiago Moreira de Sá, especialista em política norte-americana, afirma que não é possível quantificar as vezes em que a UE tomou o partido dos EUA: “é necessário ver caso a caso”. No entanto, o investigador admite que “em questões de segurança a União Europeia não tem o poder militar necessário para decidir sozinha e, nesse campo, depende da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Já em questões económicas e comerciais, os 27 têm autonomia para decidir os acordos que vão favorecer a União. Nas palavras de Moreira de Sá, “o maior desafio da UE é encontrar consenso, ao nível da política externa, entre os 27 Estados-membros”.

O exemplo mais recente é o acordo comercial entre a UE e a China, que estabelece uma cooperação de investimentos entre os dois lados. A China é a principal fonte de importações na UE e a segunda maior fonte de exportações. No entanto, a China é também o principal rival dos Estados Unidos em termos comerciais. Nesse sentido, este acordo estreita as relações diplomáticos entre a China e a UE, em contraponto com a aliança com os EUA.

Outro exemplo é o gasoduto, Nord Stream 2, de abastecimento de gás natural entre a Rússia e a Alemanha. Contra todas as ameaças de sanções da administração de Donald Trump, a Alemanha optou por esta fonte de abastecimento e não pela alternativa de Gás Natural Liquefeito vendido pelos norte-americanos. Ainda assim, este é um projeto contestado pelo Parlamento Europeu e pela Comissão Europeia, já que torna a Europa dependente da Rússia ao nível de abastecimento desta fonte de energia.

A administração de Joe Biden já anunciou que pretende estabelecer uma aliança das democracias liberais com os países da UE. O objetivo do atual Presidente dos EUA é conter os movimentos populistas e o poder das potências revisionistas, nomeadamente a China e a Rússia.

Segundo o investigador do Instituto Português de Relações Internacionais, Tiago Moreira de Sá, “na Cimeira para as Democracias a UE pode ter de tomar decisões cruciais. Se apoiar os EUA, poderá ter um conjunto de consequências como é o caso da proibição do 5G da Huwai, na Europa”.

Avaliação Polígrafo SIC Europa: Falso

A União Europeia nem sempre é bem entendida e muitas vezes é alvo de notícias falsas e manipulações.

No ano em que Portugal assume pela quarta vez a presidência da UE, entre 1 de janeiro e 30 de junho, o Polígrafo SIC abre espaço ao fact-checking dedicado aos assuntos europeus e à forma como influenciam os 27 Estados-membros.

"Este projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.”

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