Jornadas Mundiais da Juventude

Outros milhões que saltam à vista: as contas da Câmara de Lisboa para as Jornadas da Juventude

As atenções estão focadas no palco-altar para o Papa Francisco, mas existem outros milhões previstos para obras e estruturas no Parque Tejo. Só em torres multimédia, a Câmara de Lisboa estima gastar 9 milhões de euros. A SIC teve acesso a um orçamento da autarquia de Carlos Moedas.

Facebook/Câmara Municipal de Lisboa

Ana Luísa Monteiro

A Câmara de Lisboa prevê gastar mais de 34 milhões de euros em estruturas e acessos das Jornadas Mundiais da Juventude. De acordo com um documento a que a SIC teve acesso, em junho do ano passado, a autarquia de Carlos Moedas previa gastar 3.250.000 euros no altar e zona VIP, 1.750.000 euros abaixo do valor agora adjudicado às construtoras Mota-Engil e Oliveiras.

E, apesar de o palco que servirá de altar ao Papa Francisco, cuja obra custará cerca de 5 milhões de euros, estar no centro das atenções, há uma lista de despesas previstas pela Câmara com outros valores que saltam à vista.

Por exemplo, a autarquia prevê gastar mais de 9 milhões de euros em torres multimédia, 7 milhões na recuperação do aterro sanitário de Beirolas, mais de 5 milhões em pontes sobre o rio Trancão, e 3 milhões de euros em casas de banho e rede de esgotos. A iluminação do recinto e rede elétrica e o abastecimento de água potável também ficarão acima dos 2 milhões de euros.

Em entrevista à SIC Notícias, esta quarta-feira, o coordenador das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) admitiu que, inicialmente, se previa que o custo do altar-palco fosse cerca de 2 milhões de euros abaixo do valor adjudicado pela Câmara de Lisboa. José Sá Fernandes revelou que foi uma opção da autarquia expandir a pala da estrutura.

Em junho, era este o orçamento estimado pela Câmara de Lisboa para a intervenção no Parque Tejo, que receberá em agosto as JMJ.

  • Recuperação do Aterro Sanitário de Beirolas: 7.000.000 euros
  • Monitorização dos assentamentos do aterro e apoio LNEC: 100.00 euros
  • Ponte da ciclovia sobre o rio Trancão: 4.000.000 euros
  • Altar Palco e zona VIP: 3.250.000 euros
  • Ponte militar sobre Rio Trancão: 1.000.000 euros
  • Torres multimédia: 9.000.000 euros
  • Zonas de sacristias, camarins, e equipas multimédia: 100.000 euros
  • Stands das cadeias de TV: 200.000 euros
  • Gabinete de controlo de crise e gestão operacional: 100.000 euros
  • Zona para camiões media com ligação ao recinto: 100.000 euros
  • Zona para estacionamento de autocarros e carros da organização: 200.000 euros
  • Zona para convidados VIP: 200.000 euros
  • Espaço para alimentação de VIPS e bispos: 200.000
  • Delimitação e acessos ao recinto e outras estruturas de segurança: 200.000 euros
  • Acessos e mobilidade interior de todos os intervenientes (Papa, peregrinos, etc) incluindo pontes sobre o rio Trancão: 50.000 euros
  • Delimitação de setores dentro do recinto: 50.000 euros
  • Iluminação do recinto e rede elétrica: 1.500.000 euros
  • Postos de carregamento de telemóveis: 300.000 euros
  • Rede de telecomunicações: 700.000 euros
  • Abastecimento e disponibilização de água potável: 1.000.000 euros
  • Casas de banho e rede de esgotos: 3.000.000 euros
  • Estruturas de apoio à recolha de resíduos: 300.000 euros
  • Estruturas para comunhão (espalhadas por todo o recinto): 100.000 euros
  • Estruturas para zonas de serviço e lojas oficiais: 300.000 euros
  • Estruturas para hospitais de campanha: 200.000 euros
  • Heliporto: 100.000 euros
  • Zona logística adjacente ao recinto: 50.000 euros
  • Condição para utilização por deficientes ou menos válidos certificados: 50.000 euros
  • Corredores de emergência: 20.000 euros
  • Combustíveis - substituições Materiais + Serviços: 500.000 euros
  • Equipas Médicas, Socorro e Incêndio: 300.000 euros
  • Total: 34.670.000 euros

As Jornadas Mundiais da Juventude vão realizar-se este ano em Lisboa, na zona do Parque Tejo, entre os dias 1 e 6 de agosto. Lisboa soube em 2019 que iria receber o evento, mas só adjudicou as obras do altar-palco entre dezembro de 2022 e o início de janeiro.

O Presidente da Câmara de Lisboa admitiu, na terça-feira, que o investimento é grande e que já não há muito tempo para o concretizar. “Tínhamos que arrancar rapidamente a obra”, disse Carlos Moedas aos jornalistas.

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