O partido conservador da chanceler alemã, Angela Merkel, prometeu esta segunda-feira melhorar a gestão da crise pandémica no país, um dia depois de um revés eleitoral em dois escrutínios regionais realizados a cerca de seis meses das eleições gerais.
"Existem discussões sobre a gestão" da crise do novo coronavírus e "precisamos de melhorar", declarou Armin Laschet, o atual líder da União Democrata-Cristã (CDU) e o possível candidato para substituir a chanceler alemã na liderança do país após as eleições gerais agendadas para 26 de setembro.
"Espero que o governo faça um bom trabalho", insistiu o líder dos conservadores, relacionando diretamente o desempenho eleitoral "dececionante" da CDU nas eleições regionais de domingo em Baden-Württemberg e na Renânia-Palatinado (dois estados do sul da Alemanha) à gestão governamental da atual crise sanitária da doença covid-19.
A força partidária de Merkel recolheu 24,1% dos votos em Baden-Württemberg (tinha conseguido 27% em 2016), tendo sido ultrapassada pelo partido Os Verdes, enquanto na Renânia-Palatinado obteve 27,7% dos votos (31,8% em 2016), tendo sido derrotada pelo Partido Social-Democrata (SPD).
Foram os piores resultados eleitorais da história da CDU nestes dois estados federados alemães (designados como Länder), segundo destacaram as agências internacionais.
Neste momento, "já não é 100% certo" que os conservadores irão manter o poder quando Merkel deixar o cargo de chanceler após 16 anos na liderança do país, alertou hoje Markus Söder, líder dos também conservadores da União Social-Cristã (CSU) da Baviera, aliado da CDU.
Para Markus Söder, os resultados de domingo foram "um sinal de alarme".
Como tal, o líder da CSU apelou à "unidade" do campo conservador alemão, que terá de "desenvolver perspetivas" além da crise do novo coronavírus, nomeando como prioridade as questões ecológicas.
Os números mais recentes da pandemia na Alemanha, hoje divulgados, revelam um agravamento face a segunda-feira da semana passada.
O país registou mais 6.604 casos de infeção por SARS Cov-2 e 47 mortes nas últimas 24 horas, segundo o Instituto Robert Koch (RKI), a autoridade responsável pela prevenção e controlo de doenças na Alemanha. Na passada segunda-feira tinham sido contabilizadas 5.011 infeções e 34 mortes.
No país, a incidência semanal da pandemia de covid-19 continua a subir, situando-se em 82,2 contágios por cada 100 mil habitantes, quando na semana passada a incidência era de 68 contágios por cada 100 mil habitantes.
Na Alemanha, a pandemia fez, até à data, 73.418 mortos e provocou 2.575.849 contágios.
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